Litterae et una vita et idem.

A Literatura e a Vida são unas!

sábado, 19 de julho de 2014

ISTO DE VIVER É FODIDO

ISTO DE VIVER É FODIDO

num destes dias, acordo,
tenho cinquenta anos, e uma vida
cavalgando-me as costas.
estou cansado, muito cansado,
um velho de setenta anos desdentado,
usando fralda.

desvanecem da juventude todos os sonhos,
radicalmente esfumados num último cigarro.

vou à janela
e corro os olhos pela longitude,
as luzes retiram-me os sentidos e os sentimentos
que nunca retive
e aquela que nunca tive, juventude

homem vertical,
procuro um plano horizontal.

e é então que encomendo a todos os antigos deuses: 

por favor, não me permitem cinquenta dias mais.


sábado, 10 de maio de 2014

não se devia morrer assim!


não se devia morrer assim!

a morte é mais morte quando nos toca perto, quando nos leva alguém que amávamos, gostávamos, um estimado amigo...
nem me refiro ao sofrimento e dor que muitos arrastam anos, até ao fatal momento. muito menos à mágoa e saudade que afeta os que por cá vão permanecendo.
reporto-me à injustiça que é o estar vivo num momento, para logo no seguinte falecer. assim, sem mais nem o quê.
todos devíamos ter o tempo necessário para nos despedirmos dos que amamos, gostamos, somos amigos.
assim, do jeito que se morre, sinto-me defraudado. sei que todas as despedidas são penosas. a morte ainda mais pois é a derradeira.
mas ainda assim, prefiro a dor da despedida que carregar o pesado fardo do que ficou por dizer no último adeus.
e tanto que deixámos por dizer-nos, querido amigo Júlio...
tantos conselhos que deixaste de me dar, tanta história que deixei de te contar, tantas recordações de macau que ficaram no esquecimento.
sei, em portalegre, que tinhas a fama de estroina. quão enganados os que pensaram assim...
recordo, já com saudade, que trouxeste de macau, a minha filha, então com 3 anos de idade, até tolosa para que os avós conhecessem a neta... não é para qualquer um. nem o ato que praticaste, nem a confiança, depositada em ti, do único bem precioso que possuo. só por isso, já estarias guardado num local bem central do meu coração, até que ele se engasgue num último suspiro.
mas fomos muito mais que isso.
lamento este adeus de um lado só.
assim que a morte, apenas salda as dívidas para com os nossos inimigos. 




com os amigos, o saldo continua em aberto.
até sempre, comandante!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

o vinil está de volta


hellas! cravo vermelho ao peito e bandeiras desfraldadas: 25 de abril em minha casa (o magano de um sapato pregou-me a partida de me fazer uma ferida no pé e mal conseguia andar, pelo que nem pude ir ao carmo nem à trindade), hoje / ontem: há coisa de cinco anos, pela internet, adquiri um gira-discos que me custou cerca de 120 euros e veio da alemanha, um ion, passe a publicidade. o intuito era passar os velhinhos vinis que guardei com cuidado e estima para o formato mp3 e assim poder ouvir todas aquelas velhas músicas. mas o gira-discos também se pode ligar ao amplificador de um sistema de som, vulgo aparelhagem. para entreter o tempo, resolvi, hoje, experimentar a ligá-lo á aparelhagem e maravilha. eu nsempre fui e sou defensor e utilizador, na medida que a carteira o permite, das novas tecnologias e reconheço que nos facilitaram imenso a vida. por outro lado, prazeres houve que perdemos.
eu não ouvia o som de um vinil há quase trinta anos, daí o lançar-me à tarefa com os ouvidos limpos.
foi uma sinfonia de emoções. o tirar o disco da capa e do papel ou plástico protetor, limpá-lo, colocá-lo no prato, ver o disco a girar, deixar cair a agulha suavemente no disco e depois o mistério da maravilha que é aquele som em que até os ruídos soam bem.

a minha filha, com vinte e dois anos, nunca tinha ouvido um vinil a ser tocado. ficou admirada com a qualidade do som e a saber que o 'pai já cresceu depois da era da pedra lascada, apesar da aparência.
só gostava de ver agora, a cara do grunho, dono de um bar onde entrei uma vez e que tinha resolvido colar os vinis à parede como uma boa obra de merda de decoração. ainda por cima, agora que o vinil está de volta e os discos são mais caros que os cd's. toma, embrulha e vai buscar.
alvíssaras para quem adivinhar qual o primeiro disco que ouvi?
não, não foi a grândola, foi a "ópera do malandro", de Chico buarque.
por sinal, um disco que me diz muito. em dezembro de 1989 estava em macau há três meses e só conhecia lá um casal amigo. estava quase só e longe da família. o casal Isabel e Manuel Cavalheiro convidaram-me para a consoada em sua casa, em coloane e como prenda de natal ofereceram-me esse disco.
como as coisas evoluíram vertiginosamente para o cd, não tinha ainda tido oportunidade para ouvir este disco.
estou maravilhado.
bem hajam Cavalheiros pela gentileza de há vinte e cinco anos.
o vinil está de regresso.
25 de abril sempre.

sábado, 5 de abril de 2014

comunidade - Luiz Pacheco

domingo, 9 de março de 2014

a beleza da simplicidade

por vezes, ao percorrermos as ruas da cidade, somos negativamente surpreendidos por horríveis borradas que sujam as paredes de tinta, numa ação em que "deficientes mentais" se equiparam a artistas e chamam à porcaria que espalham "graffitis", ou por fraseologia mal enjorcada, imbecil ou ambígua.
mas também há momentos nos quais somos agradavelmente apanhados por verdadeiras obras de arte, executadas por artistas anónimos, os do "millieu" reconhecem a assinatura de cada um, estes sim, graffitis e graffiteiros na sua mais pura essência.
ontem, a caminho da estação de queluz - belas, deparei com um momento destes. duas frases que pelo desvanecido da tinta, já lá estarão escritas há bastante tempo, mas nas quais, eu, ou por ir ligado às preocupações quotidianas, preso entre a azáfama diária ou subjugado ao stresse avassalador, nunca tinha reparado, ou se o fizera, não ligara.
são duas frases de rara beleza poética. uma, escrita no chão diz simplesmente "poesia-me", a outra, para mim ainda mais bela e complexa na sua expressividade poética, assenta na parede à entrada da estação, "empresta-me um abraço".
ai! como a beleza pode ser um gesto de mão tão simples.
(prometo que quando tiver fotos das frases as mostrarei aqui. até lá, parabéns ao anónimo poeta)



sábado, 8 de fevereiro de 2014

os cauteleiros de são bento


(ensaio de uma crónica com morte não anunciada mas previsível)
não sei da justeza da ação e muito menos sei dos contornos legais, não sendo jurista, gostava que alguém da área se pronunciasse pois tanto julgo saber, desde os tempos de d. maria que o monopólio dos jogos de fortuna e azar está entregue à santa casa da misericórdia de lisboa, para pagar as suas obras caritativas. processo a ser analisado pelo excelso doutor relvas, master em direito sobre jogos de fortuna ou azar. o azar que nós temos...

ao promover a venda de rifas e sorteios com prémio julgo que o governo está a fazer concorrência desleal à scml, mas isso sou eu a pensar.
com este comportamento, o governo iguala o comportamento de qualquer direção do mais comum dos clubes desportivos de uma qualquer aldeia recôndita do interior do país que perante a necessidade de adquirirem umas chuteiras novas para o clube, patrocinam uma rifa e sorteiam um porco, um borrego ou uma vaca, vacas agora, não, que os tempos estão delas magras.

como as vacas (ou os bois, mas esses costumam ir à frente da carroça) estão magras, o governo sorteia bólides de alta cilindrada. azar o meu se me calhar, pois não tenho dinheiro para o suportar.
mas acho muito bem esta iniciativa, acho mesmo que o governo, à minguá do que fazer, podia mesmo dedicar-se à promoção de eventos populares.
deixo aqui duas ou três sugestões que podem fazer furor e toda a diferença em próximos escrutínios eleitorais.
talvez já vá tarde, mas é portuguesa a arte do desenrascanço, que tal o governo organizar em lisboa, capital do ex-império mas sem tradição na matéria, tradição que anda mais para ovar, mealhada, sines ou madeira, organizar, dizia eu, um majestático corso carnavalesco em lisboa?
logo de seguida e ganha a embalagem, também podia organizar, nos claustros da assembleia, o baile da pinha, ou pinhata, tradição pascoal.

lá para o pino do verão, em meados de agosto, podia organizar uma festa popular, daquelas onde vem os emigrantes todos, que agora voltaram a ser bastantes, com toiradas à vara larga, para não ferir os amigos dos animais, no campo pequeno, bandas filarmónicas a desfilarem pelas avenidas, novas e velhas, procissões, muitas procissões que o povo necessita ter fé, acompanhadas pelo inefável padre melícias, e ouvindo-se em altifalantes a voz declamatória do joão villarett, uma marcha da cgtp devidamente missionada pelo arménio carlos que o povo também necessita ter esperança e recordar as conquistas de abril, com serões abrilhantados por conjuntos de baile e pela meia noite a atuação de artistas populares, por exemplo, o quim barreiros, o tony carreira e o emanuel.

as senhoras de são vicente de palma fariam ótimos brindes para a quermesse, as senhoras do governo fariam as rifas que seriam vendidas no bazar por um paulo portas trajado de varina.

para o povo digerir tudo isto, um bufete com minis, sardinhada, febras e entremeada, torresmos e açorda.
bora lá, todos à festança, na qual, como costume, nem faltará a dona constança (a cunha e sá, não sei, parece muito elitista).
mas antes da abastança das rifas e dos carros que aí vem, lá diz o povo na sua eterna sabedoria "cautelas (lá está) e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém".

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014


Jornal de Nisa
CRÓNICAS DO REGABOFE (10): O escriba
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 Conheci o Jakim faz já tanto tempo que se me confunde nos cafundós da memória.
Quando foi também não interessa para o caso que aqui me traz.
O que deveras importa é que desenvolvemos uma amizade e durante anos uma constância feita de cumplicidades, éramos o que se diz unha com carne, de tal forma que pelos cafés e tabernas de Portalegre não poucos eram os que nos faziam de irmãos.
Agora que já sabem que conheci o rapaz em Portalegre, saibam também que eu andaria pelo 8º ou 9º anos do então chamado ensino unificado, resquícios da Revolução de Abril e maneirismos de forma que não levaram a nenhuma unidade e muito menos promoveram a igualdade, antes fizeram milagres pelo seu oposto.
O que primeiro me chamou a atenção naquele zangalhão todo gingão e garganeiro mas com um certo ar desprotegido, rodeado de garinas que lhe acoitavam as bocas, na sala de convívio da escola industrial, foi a braçada de livros que todos os dias ele transportava debaixo do braço.
Logo ali aprendi que trazer pelo menos um livro à mão foca em nós a atenção do mulherio que se sente atraído pelo ar intelectual que o livro confere ao seu portador.
Não sei bem como chegámos à fala, eu sempre tímido não me devo ter atrevido a meter conversa e no meio escolar ele era um “winner” e eu um genuíno “loser”. Deve ter sido motivado por algum livro, objeto que também a mim já me atraía e, normalmente, quinzenalmente requisitados na biblioteca ambulante Calouste Gulbenkian.
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Sei é que estabelecido o contacto tornámos-nos inseparáveis por amor aos livros que líamos e trocávamos entre nós e sobre eles falávamos.
Habitualmente, eu chegava mais cedo ao Café Facha e habituei-me a reconhecer-lhe o ticataca das botas ortopédicas a calcorrear a calçada.
Entre dois cafés púnhamos a converseta em dia e quando resolvíamos fazer gazeta íamos até ao Café Central, nas manhãs gélidas de Janeiro e Fevereiro mas de céu limpo e sol, abancávamos numa janela a dar para a rua e deleitávamo-nos com o passear das cachopas afriorentadas enquanto nós, gatos ao sol, espreguiçávamos. Nos dias sem sol, íamos até ao Café Alentejano onde sempre nos podíamos refastelar nos antigos bancos corridos com ar de sofás. As tardes, essas eram certinhas, passadas no Tarro a olhar o jardim ou quando havia disponibilidade financeira em fartas comezainas e ainda mais bem regadas a tintol no Marchão, David ou Escondidinho.
Destas cumplicidades nasceu o momento alto das nossas vidas de estudantes: o manifesto anti-Relvas, baseado no original do mestre Almada, bandarilhámos com categoria um sujeito sem categoria que fez sua vida como professor. A demonstrar o que digo, ainda hoje quando passa por mim no Rossio, seus olhos contorcem-se num esgar de ódio, quando lerpar que a terra lhe seja leve.
Destes tempos remonta ainda a nossa militância política, a qual por toparmos muito bem os desígnios do PCP e melhor ainda os dos mariquinhas pé de salsa do PS, PPD e CDS, optámos pela UDP, em Portalegre éramos 3 os militantes, ainda assim, desabrochámos um comunicado dos estudantes em solidariedade com os trabalhadores em greve da Finicisa, o qual nós próprios distribuímos à porta da fábrica, o que fez com que esses trabalhadores moralizados pelo comunicado cumprissem mais um dia de greve e nos tivessem pago uns valentes bagaços, no seu bar de convívio.
Nesse dia fomos a formiguinha ao contrário no carreiro mas que por breves instantes faz mudar a direção deste.
Nestes tempos, o nosso solstício de verão, apesar de estar já a viver o seu equinócio do Outono, era a avó do Jakim que se havia de tornar avó de ambos.
Ela era a nossa conselheira na sempre difícil passagem da adolescência à idade adulta. Contava-nos histórias populares, aconchegava-nos os estômagos em dias de ressaca, com os seus pratos da tradição alentejana, frugais mas apetitosos.
Mas o interesse comum era a literatura, ler muito e tentar escrever mais. Líamos tudo o que nos vinha à mão. Filosofia, psicanálise, política, mas acima de tudo, poesia, contos, romances, os surrealistas portugueses, o movimento Dada e muito policial, ao contrário de mim, o Jakim também devorava ficção científica, havia de se tornar especialista na área.
Dos autores, recordo-me sobretudo de Marx, Engels, Lenine, Trotsky, Che Guevara, Fidel, todos sem relevância para nós, ao contrário de Sartre, Boris Vian, Marguerite Yourcenar, Borges, Arrabal, todos os poetas e mais algum.
Convergíamos e divergíamos conforme o autor ou o momento, mas penso não errar que de todos aqueles em que mais fomos unânimes foram afinal Fernão Lopes, Gil Vicente, Bocage, Herculano, Eça, sobre todos, Camilo, mais Camões que Pessoa e muito pouco Régio, o que em Portalegre era quase sacrílego, e no topo da pirâmide os contos de Trindade Coelho, Branquinho da Fonseca e lá no cimo, tal estrela brilhante o espantoso “Romance da Raposa”, esse romance quase juvenil ou para a infância, obra fabulástica do grande mestre Aquilino.
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Ao fim e ao cabo, continuamos dois salta-pocinhas entre as borrascas da vida, dizendo “o que disse Molero” e falando como só “assim falava Zaratustra”.
Obras que lhe fortaleceram a imagética literária portuguesa no qual fundou um domínio manuelino e único da língua portuguesa que iria ao longo dos textos produzidos apurando numa linguagem e estilo próprios e únicos na literatura portuguesa, criando o seu estilo inconfundível de escrever e contar histórias. 
A partir de determinada altura, apenas o conseguia ir acompanhando nas leituras, pois na escrita, ele começou a escrever cada vez mais e cada vez melhor.
Estava possesso pelo puro deleite de escrever compulsivamente.
Foi aqui que os trilhos da vida nos separaram fisicamente, mantendo a amizade, troca de leitura e sobretudo de escrituras.
Ambos saímos da órbita portalegrense quase na mesma altura, meados finais de 1989, eu para Macau recompondo a minha carreira de professor e, sem o saber na altura, comprometer definitivamente as aspirações literárias.
O Jakim, sem dizer nada, já na altura estava ciente que não podemos vender a alma ao diabo, ao contrário de mim, mudou-se para as Caldas da Rainha e por lá deu continuidade à sua verve literária e refinou ainda mais o seu estilo e vocabulário conseguindo sintetizar nas influências clássicas um modo de fazer, de escrever, de libertar as suas pulsões literárias num voo livre de formas, frases e temas hodiernos, ou mesmo, “avant le temps”.
Para as editoras, parece haver escritores que de tão prenhes de qualidade, para elas tornam-se impublicáveis. Com o que passa o jakim muito bem, pois com a evolução informática ele escreve cada vez mais e com a ajuda do computador, da impressora e da fotocópia, lá vai publicando com arrojo, satisfação e desfaçatez as suas brochuras cheias da arte de bem escrever em toda a linha montando qualquer égua, com ou sem sela, e as vai espalhando pelos amigos, em Portalegre e por todo o mundo, pois a escrita do Jakim já se tornou universal.
E às editoras diz nada, ou rindo às gargalhadas faz-lhes o gesto habitual do Zé Povinho, manda-os à fava. Ainda por cima tem tomates, o gajo.
E ainda pode glosar: escritor, eu? Não, isso é o José Rodrigues dos Santos. Eu não passo de simples escriba. (A frase é minha mas ajusta-se).
De Joaquim Castanho li:
XIV Contos Disparates;
A Carta Esquecida e outros contos;
O Escriba e as Bonecas;
Expectativa e outros milagres;
Euclasia (poemas)
E poemas, muitos poemas, sendo que em minha opinião o Jakim é um excelente prosador mas um poeta que apenas consegue esse nível em poemas raros, nos demais é apenas aceitável, mas esta é a minha opinião.
Jaime Crespo
às 23:12 



um muito obrigado e bem haja, ao meu amigo Mário Mendes, em Nisa que neste seu blogue vem desenvolvendo um trabalho notável na defesa e divulgação dos valores, tradições e cultura no e do concelho de Nisa.
um abraço ao sempre eterno amigo Joaquim Castanho que de Portalegre vai espalhando a toda a parte o seu engenho e arte no crescimento do corpus literário português e na divulgação das artes em Portalegre, bem como a sua militância na defesa do ambiente.
o texto, entretanto já com algumas alterações mantém aqui, no original, a sua pureza e liquidez crítica à obra do Joaquim, bem como sentida homenagem à nossa irmandade.
jaime crespo