Litterae et una vita et idem.
A Literatura e a Vida são unas!
terça-feira, 26 de julho de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
Constituição
Esta a nossa Lei fundamental. Essencial. Identitária.
Cada país, o seu povo é, a um nível das mentalidades, de alguma forma moldado de acordo com a Constituição que tem. É a Constituição que lhe confere o ser pertencente a esse povo. É a marca distintiva entre um britânico, um francês, um estado-unidense ou um português.
Deveria ser…
Esta edição que apresento e possuo e quase todos os dias consulto, é repositório de oito, 8, versões desde o 25 de Abril e fala-se já na necessidade de uma nona para que possa contemplar as medidas da troika, numa frase, deixar de ser a Constituição da República Portuguesa, para passar a ser um produto troikado, adulterado, como uma qualquer marca contrafeita e barata de feira.
Assim, não há mentalidade que aguente, não há identidade que resista.
Com séculos de existência, contam-se pelos dedos as revisões, ou emendas, sofridas pelas Constituições britânica, francesa e estado-unidense.
Enfim, mas é nossa, ainda.
É um livro que deveria ser de referência para todos nós, e de reverência também.
A Constituição é um direito, nosso, sabê-la, deve ser um dever, também nosso.
Esta versão, porque traz as oito versões pós 25 de Abril tem por isso uma particularidade e um aliciante extras: a possibilidade de comparar artigo a artigo a sua evolução ou descaracterização, pois com tanta alteração não poderia gerar consensos, o que não é bom nem mau, e assim podemos acompanhar o que para uns tem sido o progresso da nossa Democracia, para outros constitui o declínio da nossa Revolução.
Apesar de tudo, de estar em vias de ser troikada, para não dizer truncada, de tanta vez alterada que não constitui alter-ego de ninguém, não forma por isso mentalidades nem identidades, apesar de tudo, leiam a Constituição! Mantenham-se informados sobre a nossa Lei Fundamental.
terça-feira, 21 de junho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
Haruki Murakami, underground - uma leitura
Confesso que gosto deste escritor. Por isso volto a uma das suas obras. Ou será mais correcto afirmar que regresso a ele? Mas seja como for neste caso não se trata de mais do mesmo.
Aqui não temos o japonês cosmopolita que ouve o mesmo jazz e a mesma música clássica que nós. Imagine-se, até se delicia com elegantes e redondas chávenas de café cheiroso, cremoso, forte. Mantendo no entanto o quanto baste de áurea exótica para não ser totalmente como nós mas o bastante para o trazer por casa sem dar muito nas vistas e mantendo toda a gracinha.
Murakami, felizmente não é desses nem se dá a muitas concessões. Limita-se a ser como gosta, o que para ele deve ser descansadamente óptimo. Quanto ao resto, humano. Tal como qualquer um anseia ser em vez de salamandra esses bichinhos viscosos.
Escreve bem. Escreve mesmo muito bem. E isso atrai-me deliciosamente. Como às drogas irresistíveis. Fatal como o destino.
Ora neste livro encontramos um Murakami puramente japonês (o que é isso?) longe de mim tal blasfémia que sei que os artistas o são simplesmente. Do mundo.
Mas encontramo-nos com um Japão servido a sangue frio (in cold blood) sem margem para respirar fundo o ar mais quente.
Na sequência dos atentados com gás sarin, no metro de Tóquio, a 20 de Março de 1995, Haruki Murakami entrevista muitas das vítimas. Aquelas que se lhe disponibilizaram. E é esse relato, das vitimas, a seco que este livro contém.
Mais que o Japão ou japoneses do nosso catálogo de preconceitos ocidentais, ou das ideias pré-feitas orientais, é o Japão lugar também ele de seres humanos e de humanidade. É o ser humano em toda a dimensão do seu esplendor, para o bem ou mal, na alegria ou tristeza, na solidariedade e na vileza… que aqui nos é apresentado.
É servido a seco.
E como um martini também deve ser consumido em pequenos golos, lentamente, saboreando, deixando-nos invadir pelo prazer.
Não é uma metáfora é uma radiografia física e psíquica e da alma do Homem.
Mais que mais um grande livro obra de arte é de uma exposição nua da humanidade de que se trata.
P.S.: não sei explicar porquê mas acho que os realizadores das cartas de Iwo Jima leram este livro.
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